Exploração e exclusão: A crise do mundo do trabalho
Sobre o nosso artigo “Tecnologia, exploração e exclusão da classe trabalhadora”, retornamos a questão da diferença crucial entre “exploração” e “exclusão”. Notamos que a confusão entre os termos, bem como a análise de suas conseqüências, continua a se fazer presente.
Vimos que diversos autores debatem ferozmente a questão da “centralidade” do trabalho e na possibilidade ou não de uma sociedade onde o modo de vida assalariado torne-se inviável e a classe trabalhadora encontre a sua extinção definitiva.
Analisamos a obra de Ricardo Antunes: “Adeus ao trabalho?” porque ela parece sintetizar muito bem este debate. O próprio autor admite, no prefácio a 7° edição, que escreveu a obra em função da necessidade de “problematizar, polemizar, e mesmo contestar as teses que defendiam o fim da centralidade do trabalho no mundo capitalista contemporâneo”.(1)
Notamos que o autor parece mais ansioso para não colocar em questão a “centralidade” das teorias marxistas clássicas do que da classe-que-vice-do-trabalho. É nesse contexto que o autor mistura claramente os conceitos de exploração com o de exclusão. E muitos outros autores têm seguindo o seu exemplo.
Quando aborda a crise da sociedade do trabalho, o autor ainda afirma que: “o que estamos procurando reter é que a esfera do trabalho concreto é ponto de partida sob o qual se poderá instaurar uma nova sociedade”.(2)
E mais adiante: “Nesse sentido, a automação, a robótica, a microeletrônica, enfim, a chamada revolução tecnológica, tem um evidente significado emancipador, desde que não seja regida pela lógica destrutiva do sistema produtor de mercadorias, mas sim pela sociedade do tempo disponível e da produção de bens socialmente úteis e necessários”.(3)
A pergunta que se impõe é a seguinte: Como a classe trabalhadora, que o próprio autor reconhece que se encontra polarizada e altamente fragmentada pelo novo paradigma tecnológico, poderá agir para mudar a “lógica destrutiva do sistema produtor de mercadorias”?
Em outras palavras. Como se pode pensar em uma superação do capitalismo e da burguesia por uma classe que se esvazia e se enfraquece a cada dia que passa? Isso é uma evidente contradição. O autor se prende ao conceito de exploração de uma classe proletária por uma classe burguesa, quando na realidade, o que vemos é a exclusão de vastos setores da classe trabalhadora, do mercado de trabalho.
Ao contrário das teorias convencionais, os “excluídos” não são mais um “exército industrial” de reserva, cuja finalidade seria apenas a manutenção dos salários em níveis suficientemente baixos para a maximização dos lucros.
Continua:
Escrito por Lauro Monteclaro às 19h46
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Continuação:
Os trabalhadores excluídos tendem a aderir a um enorme número de opções de sobrevivência onde a “consciência de classe” simplesmente desaparece. Do mundo do crime ao trabalho informal, a exclusão tecnológica produz de tudo, menos proletários.
No outro pólo, a tendência dos incluídos é a imersão nos valores empreendedores das classes dominantes. No limite, os trabalhadores mais especializados tendem a se tornar “parceiros” das empresas que os contratam, no que são seguidos por seus respectivos sindicatos.
Em resumo, o novo paradigma tecnológico tende a suprimir a classe trabalhadora, substituindo-a por novas relações que tem por base a economia de mercado. Voltamos ao ponto: Mesmo que o “trabalho concreto” não tenha perdido sua “centralidade”, a classe trabalhadora está definitivamente em extinção.
Não se pode lutar contra uma exploração que simplesmente não existe. Quando uma grande corporação promove um “enxugamento” em seus quadros, de que vale uma greve, por exemplo? A exclusão, ao contrário da exploração, tira do trabalhador qualquer forma de reação
A classe-que-vice-do-trabalho simplesmente não pode competir com as novas tecnologias. Nunca irá aceitar ganhar suficientemente pouco e nem trabalhar o número de horas que uma máquina pode suportar sem problemas.
Nesse caso, a única solução é a imersão no próprio mercado. As lutas do futuro, serão pela conquista de posições de mercado e pela quebra dos monopólios do saber tecnológico. A emancipação do operário, se dará quando ele deixar de viver de salário e passar a comercializar o seu saber.
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Notas:
(1) ANTUNES, Ricardo. Adeus ao Trabalho? São Paulo: Cortez Editora, 10° edição, 2005, pág. 9
(2) Idem, pág. 92
(3) Idem, pág. 93
Escrito por Lauro Monteclaro às 19h44
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