EUA já convivem com o crescimento sem empregos

Previsão considerada “apocalíptica” pelos defensores da informatização sem projeto social, a recuperação da economia sem geração de empregos (“jobless recovery”) já é uma realidade na terra de “Tio Sam”.
Uma previsão da Forrester Research é de que 3,3 milhões de empregos norte-americanos em serviços irão para o exterior até 2015. Uma estimativa da Universidade de Berkeley considera que a terceirização “offshore” ameaça 14 milhões de empregos de “colarinho-branco”.
Isso será causado pela “dobradinha” computadores/telecomunicações, ambos cada vez mais rápidos e baratos. Mas nem isso preocupa os defensores da mão invisível do mercado. Na verdade o articulista Guy de Jonquieres do “Financial Times”, acredita que essas estimativas são muito pessimistas e que tudo não passa de “aparências”.
Em seu artigo (traduzido e reproduzido na Folha de S. Paulo de 25/04/2004, Pág. B8), ele defende que a exportação de postos de trabalho não explica a perda de empregos nos EUA. A culpa na verdade seria das empresas americanas que não estão sabendo explorar suas vantagens estratégicas fundamentais, em suas palavras: “O estímulo comercial oferecido pelo mercado interno de maior demanda no mundo e uma capacidade de servi-lo de maneira rentável que é difícil de imitar”.
Em uma rápida mudança de foco, o articulista sai da questão do emprego, para a questão da competitividade das empresas americanas. Como se não fossem as próprias empresas líderes de seus setores da economia, como a IBM e a Microsoft na tecnologia de informação, por exemplo, as que mais se utilizam desse expediente justamente para atender o mercado interno americano e servi-lo de maneira muito, mas muito rentável.
Pela foto, os trabalhadores americanos não estão tão tranqüilos assim e querem saber de onde virão os novos empregos para substituir os que eles já perderam. Talvez nosso presidente possa lhes mostrar como se criam 10 milhões de empregos na nova economia globalizada. Afinal americano trabalhador também é companheiro...
Escrito por Lauro Monteclaro às 22h08
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